
Bowden‑Spacelander, 1960
Sem grande esforço encontram-se de dia para dia mais razões para a bicicleta passar a ser habitual na vida de muito dos que ainda só se imaginam com os pés noutro tipo de pedais. Os PEC, as guerras pelo petróleo e a Primavera são algumas das piores e das melhores razões para mais gente começar seriamente a pôr a hipótese de mudar o meio de transporte. A bicicleta é não só uma forma saudável e económica por comparação com o automóvel, mas é também uma alternativa aos transportes coletivos cada vez mais caros.
Noutro dia um colega partilhou comigo a decisão de passar a usar o comboio e a bicicleta em vez do carro. Ontem um camarada pediu-me conselho sobre a bicicleta dobrável que uma amiga deveria comprar para passar a deixar o carro em casa. Há nadinha um desconhecido amigo duma rede social procurou saber a minha opinião sobre o que me pareceu uma decisão de compra já tomada. Arrisco o diagnóstico de que com a chegada do tempo solarengo a bicicletite propaga-se!
Tenho para mim que a escolha e consequente compra duma bicicleta é um desafio pessoal em que o único fator nas mais das vezes considerado é o quão fundo temos o bolso. As lojas, mesmo se nos limitarmos ao nosso pequeno e pobre mercado, oferecem propostas para todos os porta-moedas e para quase todas as necessidades, existem ainda e cada vez mais, bicicletas em segunda mão que são ótimas opções e às vezes verdadeiras pechinchas e claro que não podemos -nem devemos- descurar as vantagens e o tamanho da grande loja do mercado global, a internet.
Quaisquer que sejam os meios para encontrar o santo Graal em duas rodas, a quantidade e a qualidade da informação que reunirmos é o passaporte para uma compra mais feliz. Comprar uma bicicleta à caixa dum hipermercado é uma solução perfeitamente válida, embora o que se encontra nesses corredores não se recomende nem aos piores amigos. Como é a exigência do cliente que apruma o desempenho do vendedor, a minha proposta nas próximas linhas é um modesto contributo para uma compra mais assertiva.
Com um orçamento definido pelo seu valor máximo, deverá o caro leitor-comprador ter o mais claro possível o propósito do seu novo compagnon de route. Tentando responder a uma mão cheia de perguntas simples e diretas do tipo “mas que raio quero eu fazer com um par de rodas novo” ficará o interessado ciclista muito mais próximo de escolher a bicicleta ideal.

Loja de Bicicletas
Se o caríssimo leitor aqui vier dar imbuído duma ânsia incontrolável por uma bicicleta nova, tente responder às seguintes perguntas com a maior das sinceridades, assim como se estivesse a dizer ao Governo onde deveria enfiar o PEC.
1. Que tipo de ciclista vou ser daqui para a frente:
a) Guerreiro do asfalto e desafiador das leis da física.
b) A minha canção preferida é o Movimento Perpétuo Associativo.
c) Tenho de comprar umas calças de tweed e uma camisola de gola alta verde azeite.
2. Durante quantos quilómetros suarei por dia?
3. Que tipo de pavimento e quantos prémios de 1ª categoria encontro no meu trajeto?
4. Será que o portátil me cabe no bolso?
5. De certeza que não tenho nada esquecido no arrumo que me sirva?
Diz-me a vozinha da experiência que um comprador de bicicleta tende normalmente a comparar o que não é comparável, deixa-se impressionar pela sonoridade das marcas mais conhecidas, reage compulsivamente a modas e estilos o que não é mau de todo mas pode levar a escolhas menos adaptadas ao que realmente necessita. Grave é quando uma bicicleta mal escolhida pode fazer com que a vontade de iniciar uma nova etapa, fique pela desistência à primeira contagem de montanha. Se é que me faço entender…
No próximo artigo desenvolverei teoria sobre as cinco perguntas de forma a que quando o prezado e devoto leitor for à loja provido dum cartão com saldo, a única coisa que tenha de teimar com o vendedor seja o preço a pagar pelo seu desejo. E que o PEC nos seja leve a todos!

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