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O SOL FOI ANDAR DE BICICLETA

Posted in cycle of sighns with tags , , , , , on 1 de Abril de 2012 by Humberto

O Jornal Sol de 30 de Março deu à bicicleta chamada na primeira página para uma reportagem do jornalista Frederico Pinheiro, sob o título “Bicicletas pedalam a alta velocidade”. O texto aborda a situação da indústria nacional do ramo. Tem também uma caixa sobre a Cicloficina, outra sobre transportes públicos e a bicicleta e dez respostas do José Manuel Caetano a outras tantas perguntas.

Não se pode dizer que faltou vontade ao jornalista para ir um pouco mais além naquilo que é habitual quando se fala de bicicleta na imprensa portuguesa, mas também não se pode dizer que tenha conseguido enfiar o Rossio na Rua da Betesga. Ainda a sim é de louvar a capacidade de publicar sobre este tema num jornal com a importância do Sol. Infelizmente não coube no texto duas simples frases que caracterizam a importância que o nosso país tem na produção de bicicletas no mundo. A saber: a Rodi é o maior fabricante europeu de aros de bicicleta e Portugal é o maior fabricante europeu de quadros de bicicleta. Ou será que a camisola amarela é coisa de somenos?

Graças a Portugal, a Europa mantém parte substancial das suas necessidades de bicicletas suprimidas internamente. Num tempo em que a procura não tende a abrandar, ignorar este facto é atirar um nadinha ao lado. Como é ao lado dizer-se que as bicicletas de ginásio são uma “nova tendência”. Nova tendência é deixar de pedalar fechado numa sala a cheirar a cavalo e vir pedalar para a rua! Além de que se há negócio que está neste momento a ser repensado é o dos ginásios. Basta ver as promoções que por aí andam e o número de pessoas que se passou a exercitar-se ao ar livre.

Úteis as informações publicadas sobre o transporte de bicicletas nos comboios, barcos, Metro e autocarros e sobre o funcionamento da Cicloficina. Cada um merece uma reportagem de per si e vamos fazer figas para que o Frederico se continue a interessar pelo tema. Apesar das críticas aqui feitas, o artigo escrito no Sol não fala de colinas nem dos outros lugares comuns para quem olha as bicicletas desde o acento engarrafado numa icê suburbana.

Conhecendo o presidente da Federação dos Utilizadores de Bicicleta e lendo as 10 perguntas que lhe fez o Sol, facilmente se imagina as 10 páginas de jornal que seriam precisas para transcrever as respostas. As prestações mediáticas do homem forte da FPCUB são infelizmente sempre limitadas a caixas em notícias ou curtas respostas em inquéritos sobre o sentido da vida em duas rodas a pedal. Já é tempo do Zé Caetano ter direito a ser o centro da peça, ficávamos todos a ganhar. Ficamos sempre a ganhar quando temos o prazer de conhecer melhor pessoas com coisas para contar. Mesmo se não concordamos sempre, mesmo se não jogamos na mesma equipa.

Nas parcas linhas das suas respostas Caetano fala da economia paralela no negócio da bicicletas, do novo-riquísmo duma certa burguesia ciclo-mobilizada, da aberração da maioria das ciclovias que vão sendo construídas, da falta de visão dos empresários portugueses e de como o barato sai caro também no que mete bicicletas. Li e foi assim que entendi. Deixei a questão relacionada com o código da estrada para o fim de propósito. Quem por aqui vai pedalando mais amiúde, sabe que considerei um atraso, uma perca de tempo, uma mera jogada política, a Proposta de Resolução n.º 14/2012 aprovada recentemente na Assembleia, ao mesmo tempo que foi derrotado o Projecto de Lei 82/XII apresentado pelo Bloco de Esquerda que avançaria efectivamente na alteração ao CE nos aspectos penalizadores para quem anda de bicicleta na estrada.

Mesmo com o discurso editado ficamos a saber pelas palavras do presidente, que a Federação vai “agora propor ao Governo” que altere o CE para permitir que pedalemos nas faixas BUS. Então mas não foi para isso que foi aprovada a PR? Então mas o assunto não estava já arrumado em relação às recomendações? Pois não, não está! Se o PL do BE tivesse passado, teria baixado à comissão da especialidade, teria sido apreciado pelos membros da Comissão Parlamentar e a versão que subiria ao plenário para votação final, incluiria todos os contributos. Nestes casos as comissões podem ouvir e considerar as opiniões de entidades que representem os interesses visados. Não se falaria mais de recomendação mas sim de decisões!

O que o Frederico Pinheiro talvez não tenha percebido é como isto anda tudo tão ligado. No artigo do Sol está lá esse tudo mas lê-se muito pouco. É que da mesma forma que a maioria dos empresários da industria da bicicleta não souberam adaptar-se e deixaram escapar muitas oportunidades de negócio que lhes teriam permitido sobreviver num mundo em mudança, também alguns políticos não percebem hoje que os interesses da bicicleta passam pela coragem em assumir responsabilidades em vez de deixarem que o jogo partidário atrase uma solução mais que encontrada, mais que necessária. Permito-me lembrar que quem agora cancelou uma outra alta velocidade, foram os mesmos que a anunciaram. Espero que o título do Sol não seja um presságio.

Após ter publicado este texto, dei-me de caras com duas publicações replicadas aqui que merecem louvor. Com conteúdo muito mais abrangente que o artigo do Sol, ambos os trabalhos, o do Jornal de Notícias por Sérgio Almeida e o da Time Out por Mariana Duarte, dão um retrato detalhado da bicicleta urbana no Porto e arredores, devendo ser guardados para referência futura. Muito factuais quase se completando, deixam vontade para fazer um circuito por todas as novas catedrais da bicicleta a norte do Douro, sem esquecer a pérola escondida que é o Velódromo no Museu Soares dos Reis.

AMORAS MADURAS

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 23 de Março de 2012 by Humberto

Costumo pedalar ali prós lados da casa da Amália e apanhar amoras das silvas que ladeiam a estrada. Silvas altas e espinhosas que dificultam e muito a minúcia necessária para colher as delicadas e maduras pequenas bagas. Para as alcançar, há que enfiar as mãos, às vezes até o braço, pelo meio do arbusto e os pequenos picos ferem-me, o que acaba por dar aos frutos um sabor mais perdurador. De regresso à margem direita do Tejo, essas pequenas feridas lembram-me a bicicleta parada na berma, sobre os ramos secos, folhas e caruma. O atrelado puxado para o lado à sobra, aberto. Lá dentro, o V e a P sentados e felizes. Ele com o chapéu cheio de frutos na mão, donde de dentro vão tirando e partilhando, nos pequeninos dedos, as bagas docemente silvestres. As bocas tingidas de um vermelho arroxeado e os olhos deliciados com o mundo. Por trás destas silvas estendem-se hectares de bagas perfeitas, daquelas que nos chegam ao supermercado em cuvetes de plástico. Mas a estas não lhes falta só os espinhos.

Nunca aconteceu render-me ao BlackBerry. Apesar de achar há muito telefone ideal, com tudo o que se poderia querer ou necessitar. Mas sempre senti que faltava qualquer coisa, talvez os tais espinhos. Demasiado perfeito. E caro, evidentemente. Quando estive mesmo próximo de arriscar e deixar-me convencer pelo seu toque, chegou o iPhone e, como bom pecador que sou, não resisti à maçã. Procuro fugir das influências malignas -e benignas, da publicidade. Pelo menos também eu gosto de pensar que sim. Reconheço que a imagem que um produto transporta para o seu proprietário é uma carga relevante e que pesa na hora de optar. Por muito que não se queira, que se tenha o tal cuidado, que se tente racionalizar, todos estamos expostos a doses massivas de propaganda, cientificamente aperfeiçoada para nos dar a volta à cabeça. Mesmo assim, com toda a ciência que os dólares canadianos podem comprar, duvido que alguma vez a RIM me consiga convencer que as amoras são mais doces que as maçãs.

O que se segue é uma muito boa tentativa.

ORELHAS DE BURRO

Posted in cycle of sighns with tags , , , , on 1 de Novembro de 2010 by Humberto

A escola é um porto de abrigo de onde se parte na aventura do conhecimento. É à escola que vamos para nos tornarmos cidadãos mais conscientes e participativos na sociedade em que vivemos. Por muitas ideias diferentes de escola que tenhamos, coincidiremos na obrigação que esperamos ser atributo da escola: um exemplo de valores e um modelo de comportamento. Pelo menos é desta forma que penso a escola. Já aqui prosei de como a escola, ou a falta dela, é também um problema de mobilidade. Hoje venho porque a escola da mobilidade é um problema de educação.

Na rotunda da via rápida (adoro este nome) que liga a Marginal à A5, que dá acesso ao centro de Carcavelos, esteve “abandonada” uma pickup com atrelado pertencente à Escola de Condução de Carcavelos, do grupo Segurança Máxima, que dessa forma se fazia anunciar a quem passava. Até aqui nada de novo, já que são frequentes os camiões estacionados por este país fora em lugares estratégicos, transformados em outdoors gigantes. “E se deixássemos o carro ali na rotunda parado de forma a que quem passe fique a saber da existência da nossa escola e venha cá dar-nos o seu dinheirinho? Poupávamos na publicidade e ainda mostramos que temos bons carros”, devem ter pensado os gestores da E de C de Carcavelos. Assim como assim têm de compensar os baixos preços anunciados. Só que a coisa não correu bem: vieram os senhores da empresa de estacionamento e zás! bloquearam a furgoneta modernaça e o atrelado!

Tendo em conta a importância que o automóvel ocupa nas nossas vidas, não é preciso elaborar muita teoria para reconhecer a importância que têm as instituições onde vamos aprender a conduzir-los. Em sociedades carrocêntricas como a em que vivemos, as escolas de condução têm um peso muito superior na formação dos cidadãos, mais do que a responsabilidade que lhes é exigida. Mais do que uma simples formação técnica e prática sobre a utilização da máquina/veículo automóvel e como coabitar na estrada com os outros condutores, é nas escolas de condução que aprendemos o código da estrada e as suas regras. Mais do que aulas sobre mecânica e com fazer um ponto de embraiagem, é nas E de C que aprendemos o Código da Estrada.

Quando uma E de C escolhe estacionar as suas salas de aula à lá garder pelas bermas das estradas à volta de Lisboa revela não só incumprimento das regras contidas no manual que se propõe leccionar, mas também uma profunda falta de civismo ao usurpar espaço público para seu exclusivo benefício. Atendendo neste sinal exterior de chico-espertismo que tipo de condução ensinarão nesta escola? Que espécie de condutores formará esta gente? E lembro que isto acontece num país onde uma professora não pode mostrar as mamocas por dar um mau exemplo à criançada!

A integração no ensino normal da aprendizagem das normas de circulação na estrada e na via pública, seja enquanto peões -que somos todos- patinadores, ciclistas ou motoristas, seria uma prioridade se a segurança rodoviária fosse realmente uma preocupação para quem nos governa. Se a educação física é importante para o desenvolvimento individual dum miúdo de dez anos, saber comportar-se na estrada também o é, e pode salvar-lhe a vida. De que morrem mais crianças em Portugal, de doenças sexualmente transmissíveis ou de acidentes de viação? Se se considera a maternidade adolescente um problema com custos sociais altos, porque não se olha com mais atenção para que prováveis futuros condutores estamos a preparar? Porque não há nas escolas Educação para a Mobilidade a par da Educação Sexual?

Não estou à espera de dar o pontapé de partida num debate nacional sobre esta questão, nem sequer proponho um aumento da despesa do Estado, a não ser claro está, se contratarem estudos de consultoria aos ex-directores dum qualquer instituto público encerrado. Também sei que há escolas em que as questões da mobilidade estão presentes nos afazeres académicos das criancinhas, da mesma forma que sempre houve professores que se interessaram por transmitir aos alunos um pouco mais de mundo para além das formatadas páginas dos manuais escolares. Mas se uma criança tem de aprender as regras do futebol, porque não pode aprender a andar de bicicleta na escola? Pronto, dirão alguns que já estou a delirar!… Estarei?

Quando encontramos na rua um carro de instrução temos sempre a tendência a enfatizar o seu comportamento. Ou porque vai a empatar, ou porque não usou o pisca, ou porque parou na passadeira, ou porque lhes lembrei a mãezinha quando me fazem razias. Até há pouco tempo muita gente pensava que se podia aprender a conduzir se se comprasse uma determinada marca de farinha e mais tarde veio a provar-se que não era bem farinha que alguns instrutores pediam por favor… Os carros das E de C são assim uma espécie de concentrado da fruta que se encontra pelas estradas. E já agora, se são escolas porque em vez de professores têm instrutores? Não é um bocadinho esquisito?

Moral, ou melhor, morais da história? Primeiro, afinal sempre há quem controle o estacionamento em Carcavelos, mesmo que seja só à volta da vila e onde não incomoda os transeuntes. Segundo, a E de C de Carcavelos não é lá grande coisa como exemplo e não mostra muito respeito pelo Código da Estrada. Terceiro, este é o artigo do blog com mais pontos de interrogação. Quarto, mais uma vez se verifica a máxima: não basta ser, há que parecer.

LOJA DE BAIRRO

Posted in cycle of live with tags , , , , , on 16 de Outubro de 2010 by Humberto

Lançar a rede à procura de livros sobre a bicicleta nunca foi tão proveitoso. Se nos ficarmos pelas edições na língua inglesa já temos o que ler por muitos e bons dias, mas para os que mais idiomas dominarem as escolhas aumentam em proporção. A bicicleta tem na Europa uma história que começa no século XIX e pudemos partir na sua roda desde a grande Bretanha, atravessar a Mancha para a Bretanha continental e seguir por terras transalpinas que muitas páginas de história leremos com estórias de paixão e invenção.

À medida que a fabricação foi subjugando a manufactura também a bicicleta foi engolida na voragem da produção em massa, no entanto até aos anos 90 d0 século passado muitos dos camisola amarela coroados em Paris, lá chegaram montados em bicicletas feitas por artesãos europeus. Hoje restam poucos desses fabricantes, uma mão cheia de verdadeiros artífices, se bem que do outro lado do grande mar as bespoke cycles são um nicho de mercado revitalizador para quem como eu acha que nem tudo está perdido.

Mesmo quando se escolhe uma bicicleta fabricada na Tailândia, a experiência de comprar numa pequena loja é em tudo mais satisfatória que o impessoal e frio serviço prestado pelos grandes armazéns. E nem precisamos de falar só de decathlon ou sportzone, pois lojas mais pequenas há onde o serviço em tudo se aproxima das catedrais do consumo. Nem com esforço destingiríamos a aptidão de certos vendedores de bairro dos dos hipermercados tal a malga onde recrutam uns e outros.

Para quem passar a vida a subir a bicicleta acima da cabeça para a encavalitar no automóvel e ir ali dar umas pedaladas a Monsanto, levar a bicicleta à oficina de carro não deve ser grande transtorno mas para mim isso não é bem assim. E eu sou dos que foi a Vigo comprar duas bicicletas e outra mandei vir por correio, mais cinco Dahon importadas da Alemanha e, como sabem, recentemente uma relíquia encontrada nos arrabaldes londrinos. Vejam só o dinheirão que poupei em IVA!

Se não compro bicicletas no burgo as razões ficam entregues a questões de algibeira e de preferências por determinados modelos a quem os representantes nacionais não parecem dar muita relevância. Mas todas elas uma vez cá chegadas passaram pelas dedos de mecânicos em várias lojas. Muitas vezes descobri que o trabalho feito ficou aquém do esperado e nem vou aqui falar dos porquês, porque na maioria dos casos perderam um cliente.

Uma das maiores satisfações que se tira da bicicleta é nela tudo estar ao nosso alcance. Afinar os travões, as mudanças, reajustar o selim e o guiador, mudar uma câmara de ar ou instalar uma luz são tarefas que não exigem super dotes e perícias de cirurgião. Mas ter uma boa relação com a loja de bicicletas do bairro é meio caminho andado para uns bons momentos de conversa e a garantia duma bicicleta bem aprumada.

Por isto é que eu vos recomendo a Carcavelos Bike e os serviços do João Silva. E porque me dá jeito ter uma loja de bicicletas perto de casa e porque gosto de pessoas que se esforçam por fazer um bom serviço e que gostam de bicicletas antigas. Além disto tudo imagem também que na Carcavelos Bike podem pedir ao João para desenhar um quadro segundo as vossas necessidades, adaptado à anatomia de cada um e de acordo com o tipo de bicicleta que precisam. Tê-lo construído por medida e à mão no material à escolha. Podem mandar fazer uma custome made em Carcavelos!

Para vos ajudar a encontrar o caminho deixo aqui mais uma velha leitura não de fim de semana porque este podem-no ter sempre ao pé do pedal. Um livrinho que me veio parar às mãos há mais de um ano e que me tem ajudado a compreender a máquina que me anima.

BICICLETA DO POVO

Posted in cycle to know with tags , , , , , , on 28 de Setembro de 2010 by Humberto

A razão para o antigo blog ter derivado para esta coisa do commuting, foi por eu achar que a solução para os problemas de mobilidade só se poderem resolver com soluções integradas, que incluam todos os que “comutam” diariamente. Façam-no por não importa que meios. Não tenho, ou pelo menos procuro não ter, uma visão sectária e redutora da bicicleta.

Tenho para mim que compete a quem planifica e implementa os diverso sistemas de transportes, quem gere e ordena o espaço para estacionamento e quem regula as vias de comunicação, criar condições para todos nós encontrarmos uma alternativa para as nossas deslocações regulares em condições sustentadas e sustentáveis.

Tirar ao veículo privado o papel preponderante nas nossas cidades não é a mesma coisa que ser anti carro, porque isso seria, para lá dum erro, uma impossibilidade prática, da mesma forma que imaginar uma cidade moderna sem considerar a bicicleta é uma grandessíssima asneira com dispendiosas consequências. Tirar o carro do centro da nossa vida é, acima de tudo, contribuir para que todos, incluindo os empedernidos dependentes dele, tenhamos uma melhor qualidade de vida.

O carro, tal qual como o conhecemos hoje e os que aí hão-de vir, fará parte da nossa mobilidade durante muito tempo. Avaliando o que se passa nas cidades onde as políticas de mobilidade são mais progressistas, o carro continua a ser uma presença massiva. Apesar das grandes restrições à circulação de carros particulares, Londres não ficou sem engarrafamentos, nem muito menos Copenhaga é propriamente um exemplo de cidade com pouco automóveis, para lembrar apenas duas urbes tão na berlinda.

A bicicleta que a Volkswagen apresentou na China -e que melhor lugar para apresentar uma bicicleta!- é um veículo pensado para um determinado e muito especifico utilizador. Uma bicicleta exclusivamente eléctrica, sem propulsão a pedal, dobrável e arrumável no espaço da roda sobresselente do carro, é ideal para quem queira, e possa! levar o carro até determinado ponto da viagem e daí continuar sentado num selim. A marca promete que não se trata apenas dum prototipo.

Este tipo de proposta ao mercado é bem reveladora do valor que a mobilidade em duas rodas assume mesmo para o “inimigo”. Uma empresa globalmente capitalista, o grupo VW, seguramente que não desperdiça uma boa oportunidade de negócio sempre que ela surja, nem que para isso tenha de dizer aos seus clientes para aderirem à moda do pedal.

OLHAR PARA CÁ DAS MONTRAS

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 25 de Agosto de 2009 by Humberto

Imagine que em todas as lojas de automóveis que conhece, mais não seja de vista, sempre que olha para a montra ou entra na sala de exposição, os carros que lá estão expostos são só veículos todo-o-terreno. Imagine que sempre que vai a uma loja de roupa apenas encontra exposta roupa para actividades ao ar livre. Imagine que quando vai ao super-mercado nada mais há nas prateleiras que comida pronta a comer.

Com as lojas que vendem bicicletas passa-se algo parecido com a ideia absurda que pedi para imaginar. Salvo raras excepções, as lojas que vivem de nos vender bicicletas e produtos associados, só nos propõem que compremos bicicletas desenhadas, feitas e montadas para nos ajudar a explorar as entranhas de montes e vales ou que rivalizem com a máquina do Sérgio Paulino. Na melhor da sortes, existe lá no meio uns quantos, poucos, exemplares de velocípedes mais próprios às ruas das nossas cidades, mas na maioria das lojas são excepções que só confirmam a regra.

A bicicleta de montanha teve o seu ponto alto na transição do milénio. Uns anos antes o mercado nacional, até então dominado por marcas nacionais e uma oferta pobre em termos de tecnologia e qualidade quer de modelos de estrada, quer das velhinhas “pasteleiras”, foi revolucionado pela importação. Aos poucos cresceu o domínio de três ou quatro marcas de origem transatlântica, que chegaram a Portugal pelas mãos de agentes locais. Algumas destas empresas mostraram mais pedalada que outras e o sucesso das suas marcas está ai como prova. As bicicletas fora de estrada ganharam terreno e impuseram-se na paisagem ao ponto serem a maioria das bicicletas que se viam “dentro de estrada”.

Nos últimos três anos houve um aumento exponencial de bicicletas na cidade. Algumas btt passaram a sair à rua para lá dos fim-de-semana e dos passeios mais ou menos desportivos e alguns candidatos a ciclistas começaram a procurar nas lojas modelos mais versáteis. Poucas lojas arriscaram apostar nesses modelos, sendo a Decathlon um exemplo com os seus modelos híbridos, tendo dessa forma alargado os horizontes de quem se propunha comprar uma bicicleta, mas não queria levar para casa um jeep! A verdade é que tudo isto foi acontecendo muito a medo e a oferta foi sempre menos que pouca. Poucos vendedores encomendaram modelos híbridas ou marcas novas com ofertas direccionadas para pavimentos citadinos, mas mesmo nesses espaços, as montras continuaram a apelar aos instintos off-road.

O sector de negócios mais beneficiado com o aumento do uso das duas rodas a pedal, será seguramente, para além da venda das ditas cujas, as lojas de vendem de acessórios. Não é preciso ser engenheiro para perceber que por muita tralha que se consiga impingir a alguém cujo desejo é ter a bicicleta mais leve lá da rua, a parafernália disponível para bicicletas de cidade é muito superior. É, mas não se encontra em lado nenhum! Quer dizer, encontrar encontra-se, na rede, nas lojas on-line espalhadas por esta Europa unificada, mas aquele gostinho de entrar numa loja, tocar, experimentar e comprar é ainda um luxo raro quando se procura até uma simples câmara de ar.

Bem, mas para vender os acessórios, é preciso que o cliente tenha onde os montar. Ou seja, é preciso que o cliente tenha uma bicicleta, e para isso que as lojas lhe vendam uma. Só que as lojas parece que não querem. Pelo menos agem como quem não quer. A maior parte pensa que o cliente é alguém que deve ficar extremamente agradecido por se lhe dignarem a vender algo, e esse algo é sempre o que o cliente verdadeiramente necessita, seja lá o que o cliente vier à procura, o vendedor é que sabe o que é bom para ele. “Mas para que é que quer essa câmara de ar? Tenho aqui esta que é outra referência, mas que também dá!” ou nunca ouviram nada disto da boca de algum vendedor?

A verdade é que a maioria das lojas não fazem grande esforço para promover novos produtos para além das bicicletas de montanha. Refiro-me às bicicletas “roda 28″ de cidade, com pneus mais estreitos, guiador mais direito, posição de pedalar mais confortável, guarda-lamas, luzes, grade para alforges, sistemas de transmissão de baixa manutenção, etc. Se se listar os acessórios então nem chega a paciência… Fora de Portugal a maioria das lojas de bicicleta são especializadas em modelos vocacionados para o transporte. Claro que também há lojas especializadas na vertente desportiva, mas há seguramente uma diferenciação positiva que só favorece o cliente.

Como diz a canção, isto anda tudo ligado. No primeiro ano da introdução em Paris da Velib’, as receitas das lojas de bicicletas da capital francesa aumentaram  setenta por cento. Por cá, quem usa a bicicleta como meio de transporte queixa-se da falta de investimento público na criação de condições de mobilidade, por outro lado, os agentes económicos enquanto parte interessada, não se mostram minimamente activos na defesa dos seus próprios interesses. Promovam mais a bicicleta enquanto meio de transporte, sejam mais agressivos na introdução de modelos utilitários, tornem-se mais visíveis nas campanhas de divulgação da bicicleta e só terão a ganhar. Teremos todos a ganhar. Todos mesmos, incluindo os que não andam de bicicleta. Porque uma cidade com mais bicicletas, é uma cidade melhor. Ponto!

EMPRESAS AMIGAS DAS BICICLETAS

Posted in cycle to work with tags , , on 13 de Agosto de 2009 by Humberto

Nos países onde o aumento do preço dos combustíveis levou muitas pessoas a experimentar a bicicleta como alternativa, muitas empresas começaram a tentar ir ao encontro das necessidades dos seus funcionários ciclistas. Além dos benefícios para quem usa a bicicleta, são inúmeras as vantagens para as empresas. Aqui ficam algumas.

Trabalhadores mais felizes e saudáveis

Pedalar é um óptimo exercício e trabalhadores saudáveis são bons em qualquer empresa. Exercício regular reduz a probabilidade de se sofrer doenças cardíacas e previne o enfarte, diabetes e alguns tipos de cancro. Numa esquema diário, o exercício significa empregados menos faltosos por razões médicas e com melhor saúde geral. E não serão só mais saudáveis, mas também mais felizes. O exercício físico reduz o stress e os funcionários chegarão ao trabalho sentindo-se “frescos e vivos”!

Reconhecimento por parte dos funcionários

Uma vez que os empregados adiram à bicicleta, reconhecerão à sua empresa o apoio e valoriza-lo-ão na altura de pensar em mudar de patrão. Empresas que disponibilizarem instalações dedicadas aos seus funcionários ciclistas e implementem programas incentivadores do uso da bicicleta terão trabalhadores mais motivados.

Poupar dinheiro

Isto pode ser a chave para muitas empresas! Se pedalar para o trabalho for facilitado, as empresas podem diminuir o espaço requerido para parque tanto para funcionários como para visitantes, reduzindo assim os custos com a propriedade. Facilmente se conseguem guardar de forma segura dez bicicletas no espaço ocupado por um carro. Com a implementação de medidas fiscais correctas, as empresas poderão inclusive deduzir os custos com bicicletas para os funcionários.

Responsabilidade social

Promover formas de transporte sustentado para o seu pessoal é uma excelente forma das empresas valorizarem a sua imagem corporativa. Essa imagem transparece primeiramente para os seus funcionários, que sentirão com certeza orgulho em trabalharem para uma organização que reconhece a responsabilidade social e ambiental.

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