A BICICLETA TEM AS COSTAS LARGAS

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 25 de Maio de 2012 by Humberto

Que anda meio mundo a enganar outro meio, mais coisa menos coisa e fora uns pozinhos, já o povo, sabedor e experimentado mas nem sempre aprendedor, diz. Que isto da bicicleta tem sido uma forma de gente muito dada à palavra fácil trepar ao cume da popularidade sempre tão rentável em votos e poleiros, não me tenho cansando de apontar. E acrescento: a bicicleta tem as costas realmente muita largas!

O regresso do festival de música rock ao alto de Marvila deu mais uma oportunidade de, a pretexto do desfraldar duns quantos mais metros de ciclovia alfacinha, estenderem-se ao comprido os habilidosos do costume. Tirando o ar casual do Caetano e uns quantos senhores que não saem de casa sem sentirem as carnes bem aconchegadas, a filha do Roberto que se não pedala, malha muito, e mais uns quantos pedalantes de inaugurais, as fotografias são até cómicas. É que isto das bicicletas, quando toca a andar, requer equilíbrio senhores, equilíbrio!

Mais do que me ficar a rir da azelhice alheia ou apenas dar lastro à má língua anti-festivaleira, até porque vou finalmente poder rever o boss em Portugal, a ideia de poder fazer o regresso a casa montado e a pedalar é muito convidativa -não fora o facto de cá para os meus caminhos esta passadeira rosa não servir para nada, quero apenas chamar a atenção para pequenos detalhes. Acredito que são os detalhes que definem se uma coisa é bem ou apenas feita. São os pequenos pormenores que fazem a diferença. São as picuinhices que dão o brilho. Mas… nem tudo o que brilha é oiro.

Reparem nas manetas de travão da bicicleta do senhor da boina. Deve ser adepto duma cena mais racing

A quantidade de fotografias em que o José Caetano aparece ao lado do António Costa!

Onde está a ciclovia?

A boa da Roberta deve ficar a pensar que andar de bicicleta em Lisboa dá barriga!

E para terminar, a revista Caras diz que o José Sá Fernandes é que é o presidente da FPCUB. Sim, era só o que nos faltava!

AVISTA-SE MOVIMENTO NA MONTANHA!

Posted in cycle to know with tags , on 18 de Maio de 2012 by Humberto

E assim de repente, pela calada da noite, eis que parece haver tremores na montanha. Ter-lhe-ão rebentado as águas?

De tão avisados que andamos, não temos tirado os olhos de quantos instrumentos medem qualquer oscilação, a mais pequena alteração no espaço ocupado por essa massa teimosamente inerte.

Aqui se cumpre o dever de informar, mesmo que por ora, apenas isto se consiga comunicar. Oremos então e, pelo sim pelo não, armemos a ratoeira!

CONCLUINDO DAS CONCLUSÕES DO CONGRESSO

Posted in cycle to know with tags , , , on 8 de Maio de 2012 by Humberto

Não estive presente no IX Congresso Ibérico da Bicicleta e a Cidade. Tive acesso às conclusões pelo documento que a Federação de Cicloturismo, organizadora em parceria com a congénere espanhola ConBici, gentilmente me enviou. O que sei do que se passou na Murtosa resume-se a notícias da imprensa local, algumas notas nas redes sociais e uma ou duas conversas informais, para além claro está, da informação oficial disponibilizada no sitio do Congresso. Sei tanto sobre o evento e  sobre as discussões que lá tiveram lugar como qualquer cidadão pode saber sem se ter deslocado à Murtosa.

As conclusões do IX Congresso estão impressas em três páginas A4 onde se resume as preocupações, ambições, expectativas, alertas e outros pensamentos da organização ibérica do encontro. As conclusões dum conclave, dum congresso são assim como uma espécie de testemunho passado pela presente edição até à seguinte. Pela análise das conclusões dos sucessivos congressos é possível ter uma ideia da evolução não só do pensamento mas sobretudo das dinâmicas que presidem ao próprio movimento. As conclusões não são o resumo das comunicações e apresentações a uma reunião como um congresso mas deveriam levar em conta o que foi dito pelos delegados. As conclusões, como a própria palavra indica, deverão deduzir, ajustar, sintetizar ilações sobre o debate suscitado e desenvolvido pelos participantes.

Avaliando as apresentações submetidas ao nono Congresso da Bicicleta e lendo as suas conclusões, ou fazendo o mesmo exercício para os outros congressos disponíveis, fiquei sempre com a sensação que o texto final se enquadra mais num documento tipo manifesto/moção/carta-reivindicativa do que em conclusões dos trabalhos. Este entendimento é um problema meu e peco seguramente por deficiente entendimento. Mas como eu sou mesmo chato, dei-me ao trabalho de ir reler as Conclusões do VII CIBC, o último a ter tido lugar em Portugal, na vila de Vilamoura no ano de 2008. Moveu-me a curiosidade para perceber a evolução da bicicleta em Portugal aos olhos dos principais interessados e, admito, uma leve sensação de dejá lu.

Nas conclusões do congresso de 2008 notava-se que a evolução da situação da bicicleta tinha “sido maior em Espanha do que em Portugal”. Agora, em 2012 afirma-se que começou a “verificar-se uma inversão nesta tendência”. Ou seja, as conclusões começam por notar uma alteração substancial e qualitativa na situação da bicicleta nos dois países nos últimos quatro anos, mas continuando a ler o documento não se encontra qualquer justificação para esta viragem. Aliás acompanhando eu à distância, pela rede, o que se passa no país vizinho e sabendo o que por cá se lavra, seria preciso Espanha parar tudo o que à promoção da bicicleta diz respeito para as conclusões baterem certo com a realidade. Admito que não esteja a ver o quadro completo mas a verdade é que não encontro na realidade nada que me faça acreditar que estamos a ultrapassar pela esquerda a bicicleta do país vizinho.

Quatro anos volvidos desde que o congresso teve lugar em Portugal não sou apenas eu que concluo que muito pouco mudou, é o próprio relator que, ao decalcar parágrafos inteiros das Conclusões de 2008, tem essa convicção. Ao ler as conclusões deste ano depois de ter relido as de há quatro anos, dei por mim a pensar na Margarida Rebelo Pinto! Copy-paste! Nem uma virgula alterada, nada: “O direito à acessibilidade deve ser reconhecido, em cada país, através das formas mais adequadas, como resposta à nova dimensão da bicicleta nas cidades modernas. Neste âmbito o acesso à mobilidade e do uso pleno da bicicleta como modo de deslocação deve estar consagrado na Constituição da República Portuguesa a exemplo do direito à saúde e à educação.” Ou “É necessária uma alteração do status quo da bicicleta. A bicicleta não é apenas um brinquedo de crianças e deve ser entendida como um veículo que deve ocupar o seu espaço na via pública.” Este tipo de afirmações, que mantêm a actualidade pelo menos durante quatro anos, são mais próprias duma carta de princípios que das conclusões dum congresso.

Algumas diferenças entre os dois textos têm relativa importância, embora sintomáticas dum certo debate que anda adiado. Se em 2008 o Congresso viu como “necessária a criação em Portugal de uma comissão cívica que inclua os utilizadores de bicicleta, a exemplo de Espanha”, na redacção de 2012 apela-se a que não lutemos “cada um para o seu lado”, porque isso “traduz-se num desperdício de energias, e em alguns casos com resultados contraproducentes”. Em quatro anos muitas coisas aconteceram no seio do movimento associativo ciclista urbano e esta clarificação da posição saída da Murtosa, que aqui é particular dos congressistas portugueses, tem seguramente a ver com as divergências entre as tendências mais activas, sobretudo em Lisboa, que podem, e há que dizê-lo com toda a frontalidade, ser encontradas por um lado na Federação e por outo na Mubi. Claro que a unidade faz a força e claro que não existe uma verdade absoluta. Há que encontrar os pontos de contacto e pedalar em frente. Duma vez por todas.

Sobre o famigerado Código da Estrada, pode ler-se no texto deste ano que mais ou menos o mesmo que foi escrito em 2008. “É urgente uma alteração do Código da Estrada português a exemplo do que está consagrado em inúmeros Códigos de outros países europeus, adaptando-o às necessidades dos ciclistas e corrigindo lacunas e omissões, numa visão de que na estrada se deve proteger os utilizadores mais vulneráveis, não os ignorando, não os segregando.” É omitida apenas uma referência comparativa aos peões e é acrescentada -sinal dos tempos- uma declaração de fé no actual secretário de estado dos transportes. Não está claro no entanto se o governante se deslocou à Murtosa para anunciar brevidade na apresentação do novo Código da Estrada ou se para anunciar as tão necessárias e esperadas alterações ao dito código. Volto a lembrar que os Partidos que suportam a actual maioria governativa derrotaram recentemente um Projecto de Lei do Bloco de Esquerda que, caso tivesse passado, teria dado ao senhor secretário de estado a oportunidade de fazer um brilharete anunciando verdadeira e inequivocamente um novo CE! Entretanto continuemos à espera…

No parágrafo sobre sistemas de Bicicletas de Utilização Pública, é novamente sugerido a sua implantação “nos interfaces de transportes e junto a parques de estacionamento dissuasores”, como “excelente opção para a intermodalidade, com benefícios na economia de tempo, de espaço e de custos.” Outra vez se cita o exemplo de várias cidades espanholas com resultados encorajadores. Referem-se os “pequenos projectos piloto” de alguns municípios lusos e anseia-se pelo protelado sistema lisboeta. A verdade é que se em quatro anos muita coisa mudou em Espanha ao contrário de Portugal onde, para além de discursos mais ou menos de circunstância e tímidas iniciativas “piloto”, nada de substancial aconteceu. E a resposta para nada de relevante ter acontecido é dada nas mesmas conclusões no parágrafo referente às ciclovias e vias cicláveis.

Também aqui em quatro anos nada aconteceu que tenha levado à alteração do texto, salvo pequenas actualizações de letra. Quando as conclusões reafirmam que “o aumento da segurança da utilização (da bicicleta) deve se feita através da redução da velocidade dos veículos, fiscalização da obrigatoriedade de cumprimento dos limites de velocidade, criação de zonas 30 e partilha de circulação”, mantém que enquanto não forem efectivamente introduzidas medidas de verdadeira acalmia de tráfego e se deixar de ver a bicicleta como uma ferramenta para essa mesma acalmia, a segurança na estrada não será implementada. Nem para ciclistas, nem para peões, nem para ninguém!

“No referente à relação entre a bicicleta e o transporte colectivo reconhecem-se nas duas nações ibéricas os claros avanços em relação ao transporte das bicicletas nos metropolitanos, eléctricos e comboios, especialmente nos subúrbios das cidades. No entanto há problemas nos comboios de longa distância, pelo que seria da maior importância que que também a esse nível fosse autorizado e facilitado o transporte da bicicleta.” Ipsis verbis! Este parágrafo volta a confirmar que, apesar de do Congresso ter atestado uma maior evolução das condições para a utilização da bicicleta, a verdade é que passados quatro anos tudo está praticamente na mesma na relação da bicicleta com o transporte colectivo…

Num salto de quatro anos foi também copiado o paragrafo que pede aos municípios para instituírem “por norma, que sempre que haja uma obra se aproveite para deixar espaço ou fazer alterações que beneficiem a utilização da bicicleta ou que pelo menos não a compliquem, como a questão da colocação de sarjetas, colocação de postes de iluminação e sinalização vertical que roubam espaço e visibilidade à circulação”. Mais uma vez relembro que a Assembleia da Republica vetou um Projecto Lei do Partido Ecologista “Os Verdes” que propunha legislar exactamente neste âmbito criando as bases para uma rede nacional de ciclovias onde muitas das norma ambicionadas caberiam. A meu ver o congresso faz mal em ignorar iniciativas como a do BE e dos Verdes, que ainda por cima nem sequer são tomadas pela primeira vez, e caso tivessem sido levadas por diante, teriam tido muito mais impacto que outras iniciativas que se ficam por palavras.

Os Congressos Ibéricos da Bicicleta e da Cidade são acontecimentos de extrema importância e têm desde 1996 contribuído para o regresso da bicicleta às nossas cidades. A FPCUB desenvolve um trabalho muito relevante na defesa dos interesses de todos que pretendem utilizar a bicicleta no dia a dia, como veículo de transporte, como meio de deslocação regular, único. Todos os que pedalamos nas cidades ibéricas devemos muito ao empenho da Federação e da ConBici e ao trabalho das suas direcções e associados. As sociedades são transformadas pela acção dos Homens e estes homens e mulheres têm agido permanente e consequentemente para transformar. Ainda que nem sempre em acordo uns com os outros, ainda que nem sempre de acordo com o que cada um de nós possa julgar mais correcto.

As apresentações feitas na Murtosa são de elevado interesse e reflectem o grau de pensamento e análise presente em ambas as sociedades ibéricas ao mesmo tempo que revelam, se dúvidas houvesse pelo menos deste lado da fronteira, pela total ausência de cobertura nacional, a total incapacidade da comunicação social para lidar com a bicicleta de forma séria. É muito recomendável a consulta disponível no sitio do Congresso às apresentações feitas. Pelo pouco impacto mediático do acontecimento teve, podemos confirmar que a bicicleta ainda não conseguiu entrar nas redacções de informação mas tampouco é com redacções plagiadas de conclusões de anos anteriores, com um baixo índice reivindicativo e com a ausência de polémica enriquecedora que se dá visibilidade a uma iniciativa com a importância do Congresso Ibérico da Bicicleta e da Cidade. A bicicleta tem que ser combativa e não se pode acomodar ao poder -qualquer que ele seja- nem servir de veículo de poder. A bicicleta tem de falar alto, exigir e apontar dedos. A bicicleta é minoritária e nunca será maioritária.

Na edição deste ano o congresso alterou a periodicidade do congresso, deixou de ser bianual e passou a anual, pelo que dentro de dois anos temos novamente um encontro em Portugal. Quero acreditar que nessa altura já teremos verdadeiros sistemas de bicicletas partilhadas a funcionar em cidades portuguesas, já terá sido alterado o Código da Estrada, já existirá um normativo nacional para a construção de estradas e infraestruturas que levem em conta a bicicleta, a Avenida da Liberdade em Lisboa já será ciclavel e os passeios caminháveis, Lisboa terá efectivamente uma rede de ciclovias e não uma rede de passeios pintados, as zonas de 30km/h serão uma realidade e o estacionamento estará ordenado. Daqui a dois anos quero crer que haverá razões para o secretário de estado de então não vá ao congresso fazer um discurso bonitinho ao mesmo tempo que deixa no gabinete em Lisboa o computador a processar formas de dificultar a mobilidade para quem pretende não depender do carro. Espero sinceramente que em 2014 se chegue a novas conclusões!

LEVI STRAUSS, BICYCLE & CO. (actualizado)

Posted in cycle of live with tags , , , on 6 de Maio de 2012 by Humberto

Longe vão os tempos em que as Levis me chegavam de madrugada directamente de New York. Chegavam em sacos de lojas onde nunca tinha entrado. Nessa altura ainda as etiquetas diziam Made in USA, e escolhiam-se pela medida da cintura e do comprimento, comecei num W28 L30 e mais tarde W30 L32. As primeiras foram modelos 517 e 562, mais clássicos e largos, dum azul muito escuro e quase que ficavam de pé sozinhas, tal era a carrada de goma que as impregnava. As minhas primeiras aventuras com a máquina de costura foi para estreitar as pernas e fazer alguma bainha à minha vontade. Quem se lembra da moda das calças muito justas, com botas alentejanas ou de tacão alto? As aventuras na costura correram bem e guardo esses dotes até hoje com muito orgulho.

Com passar do tempo e muita informação partilhada, comecei a pedir outros modelos. Chegaram-me as primeiras 501 com a bandeira laranja no bolso, em azuis mais claros e aspecto usado. Eram mais caras e nem sempre os patrocinadores de então compreendiam as diferenças. Sem internet nem eBay, nesse tempo o google eram as revista importadas, a publicidade, de onde muitas vezes se recortava uma fotografia e entregava juntamente com o pedido e as notas de dólar. Mas a importação contra-bandista não se limitava apenas a calças. Vieram camisas de ganga, blusões, blusões com pelo e blusões de bombazine. Ainda guardo alguns blusões que espero façam as delícias do V logo que lhe sirvam como fizeram as da minha irmã. No início dos 80′s a Levis que se vendia por cá era caríssima e de inferior qualidade, o que até nem fazia muito sentido porque a marca tinha em Portugal alguma produção. Dizia-se então que a melhor Levi Strauss à venda fora dos states saía de cá. Anos mais tarde assistiria ao encerramento do escritório no Porto onde a marca controlava toda a produção adjudicada a fábricas portuguesas, num prédio da avenida de Boavista. Hoje, e apesar de não estar referenciada qualquer produção da marca no país vizinho, somos uma simples sucursal da Levi Strauss España S.A. Em Portugal havia em Março e segundo dados da própria marca, 26 empresas nacionais a produzir para a Levis. 

De regresso ao século passado, quem tinha o privilégio de mandar vir roupa do outro lado do Atlântico, para além das calças com a bandeirinha vermelha no bolso, havia quem preferisse as Lee ou as Wrangler, fosse pelo corte, a cor da ganga ou o tipo de linha usado nas costuras. Eu mantive-me sempre fiel às Levis! Houve até uma altura em que se podiam comprar falsificações muito aproximadas às originais por bom preço na feira de Carcavelos e noutros centros comerciais ciganol mas quem arriscava, rapidamente percebia a razão do “desconto”. Ao fim de um par de lavagens a cor desmaiava e as linhas cediam. A procura chegou a ser tal que o preço das americanas ultrapassou o das vendidas nas lojas. Realmente a cor da ganga e o corte não tinham par. A globalização começou a fazer das suas e em breve as Levis compradas em NY eram iguais às vendidas em Lisboa, o preço doméstico caia ao mesmo tempo que o dólar subia, até que a marca de São Francisco deixou de fabricar nos Estados Unidos a par da perda de implantação por causa da concorrência das novas marcas surgidas entretanto.

Hoje voltaram a fabricar no país de origem modelos exclusivos a preços equivalentes. Umas Levi’s made in usa custam muito acima dos 150 dólares e um blusão passa dos 200! Mais atenta às tendências do presente e revalorizando o encanto da ganga para lá do cowboy look, a Levis Strauss fabrica actualmente colecções para diferentes clientes. Uma das novidades é a linha a que deu o nome de Commuter, pensada para os ciclistas urbanos. A roupa está cheia de detalhes adaptados às necessidades de quem anda em cima duma bicicleta. Faixas reflectoras, respiradores nas camisas, materiais impermeáveis e até um suporte nas calças para cadeado em U, bolsos específicos, cinturas mais subidas, tornam estas peças bastante práticas e estão disponíveis em várias cores. Se a Levis não se esqueceu de nenhum pormenor, aparentemente ignorou que a comunidade ciclista feminina existe, e que se há peça de roupa que difere no género é um par de calças. Claro que semelhante tratamento discriminatório já motivou reacções na blogoesfera e mesmo um protesto formal junto da marca.

A série Commuter está disponível em Portugal e tem direito a chamada de capa, ou melhor, está bem presente na montra da loja no Chiado, em Lisboa. Por mim, e entrando na moda que parece ser uma vocação dos blogs cá da terrinha, anúncio a minha total disponibilidade para testar a roupinha. O meu número de calças é o W32 L32 e de camisa o 15,5!

25 DE ABRIL SEMPRE!

Posted in cycle of live with tags on 24 de Abril de 2012 by Humberto

A Revolução não será motorizada!

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BICICLETA QUENTE EM TELHADO DE LATA

Posted in cycle to know with tags , , , , , , on 23 de Abril de 2012 by Humberto

Já fiz muitos quilómetros de carro com uma bicicleta agarrada ao tejadilho. Quando decidi desafiar a cidade invicta de bicicleta escolhi um modelo que não era opção para o consumidor que se limitasse a procurar dentro de fronteiras. Como já por aqui repeti, foi na Galiza, mais precisamente na Bici Total de Vigo que, depois de crescido, comprei a primeira bicicleta. Influenciado pelos sucessos de Lance Armstrong no Tour, escolhi um modelo híbrido da Trek, bicicleta que ainda hoje é a mais usada no meu commuting diário. Passado sensivelmente um ano e quando resolvi aventurar-me por trilhos mais selvagens, mantive-me fiel à loja e à marca optando por uma Fuel e, já de regresso à capital, mandei vir da Galiza um modelo feminino de montanha da marca de Waterloo.

Thule Tour 510

Ir do Porto a Vigo no início do século XXI por estradas ainda não portajadas já era coisa que compensava por várias razões. O marisco e o peixe, a movida e as tapas, o passeio e as gentes, o preço da gasolina e até o preço das bicicletas, tudo atractivos para aquele tempo e vai-não-vai, me meter no carro e cruzar a fronteira. Por duas vezes fiz o caminho de volta com mais um par de rodas. Se o primeiro ainda fez a viagem apertadinho na bagageira, o segundo já veio preso no tejadilho num suporte da Thule. Como as revisões são grátis para todas as bicicletas compradas na loja, foram várias as vezes em que, enquanto eu ia de copas, as meninas ficavam no salão a fazerem tratamentos de rejuvenescimento. Muito boas recordações e saudades dessas viagens guardo e do fantástico e muito profissional atendimento na loja galega.

Por causa da itinerância de então e por ter duas bicicletas que me eram inseparáveis, tive de comprar um segundo suporte. Já nessa altura eram caros, tão caros como uma bicicleta de supermercado! Com ambos os suportes podia transportar as duas bicicletas ou partilhar a viagem de carro com quem quisesse ir à procura de trilhos e aventuras montanhistas. Nunca transportei mais de duas bicicletas, embora já tenha visto carros com quatro e até cinco suportes no tejadilho. A resistência provocada pelas bicicletas no tejadilho aumenta significativamente o consumo e exerce sobre a estrutura do automóvel uma elevada tracção. Não é à toa que os fabricantes de suportes recomendam que se limite a velocidade quando se viaja utilizando esse tipo de equipamento. Se algum dia tiver que transportar mais que duas bicicletas -coisa que mais cedo ou mais tarde acabará por acontecer, mandarei montar uma gancho de reboque para poder usar um suporte próprio na traseira do carro. Se entretanto ainda houver carro!

Dois dos suportes estão mal montados

Quando se monta um segundo suporte no tejadilho, a fechadura dum deles terá acesso muito difícil visto ficar do lado de dentro, pelo que há que montar esse suporte apenas após inverter o braço basculante. Isto deve ser feito para facilitar o acesso a cada um dos suportes desde o respectivo lado do carro mas sobretudo por uma questão de segurança. O segmento que segura a bicicleta pelo quadro deverá sempre estar de modo a que a roda da frente da bicicleta esteja virada para a frente do carro. Desta forma a força exercida sobre a estrutura não contraria o sistema de retenção, não empurrando a bicicleta para fora do suporte. No caso de se instalar um terceiro suporte, o do meio poderá ficar com a fechadura virada para qualquer dos lado, desde que esteja apontado na direcção correcta. Basta ler atentamente o manual de instalação das bases para não cometer esse erro.

Mont Blanc Barracuda

Vejo todos os dias carros com suportes no tejadilho mal montados e não foram poucas a vezes que abordei condutores no sentido dos alertar para essa questão. Já me responderam que o facto de um ou mais suportes estarem ao revés tem que ver com o espaço disponível para arrumar tantas bicicletas. Noutros casos pura e simplesmente meteram mãos à obra sem olhar para o folheto de instruções ou foram “outros” quem montou os suportes. Escusado será dizer que os vendedores destes suportes também estão a pecar por omissão no acto da venda mas também sabemos o tipo de ajuda técnica que podemos esperar da maior parte das lojas. Quando se tem que transportar mais que duas bicicletas pode haver dificultar em desencontrar os guiadores. A solução mais fácil é realmente intercalar a direcção das bicicletas. Fácil mas pouco inteligente, visto que dessa forma não são respeitadas as regras de montagem e qualquer garantia do fabricante é assim anulada, além que põe em risco a cobertura do seguro em caso de (longe vá o agoiro!) acidente. Não são raros os relatos de situações envolvendo bicicletas voadoras com mais ou menos consequências mas sempre com um grande susto.

Thule OutRide 561

Para além dos modelos “normais”, existem suportes específicos para bicicletas mais pesadas como as de descida, de downhill, outros em que a bicicleta é fixada ao suporte directamente pelo forqueta, desmontando a roda da frente, recomendados para bicicletas de estrada, que pelo seu reduzido peso e fragilidade, ficam dessa maneira menos expostas à velocidade do automóvel. Há-os de vários fabricantes e para quase todas as bolsas. Qualquer que seja o suporte que escolha, é imprescindível que leia e respeite as indicações do manual de instalação! Como dizem os fabricantes, “em caso de dúvida deve contactar-se o fornecedor”. Por vezes, uma simples consulta online e o problema fica solucionado. Por causa das tosses, a verdade é que quando viajo nunca fico muito tempo atrás dum carro que transporte bicicletas no tejadilho, sobretudo se reparar que vão guiadores virados para trás.

Três suportes bem montados

Bem, a terminar este aviso à navegação e desafiando novamente a vontade dos caríssimos leitores para perderem o vosso precioso tempo a comentarem as minhas divagações, tenho ainda assim a ousadia de perguntar: usa o meritíssimo leitor suportes de tejadilho para bicicletas? No caso de se dar ao trabalho de responder e na eventualidade de ser de forma afirmativa, já reparou se os tem bem montados? E, correndo o risco de me tornar insuportavelmente maçador, só mais uma pergunta: costuma vossa senhoria rever apertos e ajustes antes de viajar? Muito obrigado pela participação neste mini-inquérito. Um bem haja! E boa viagem.

JORNALISTAS CYCLE CHIC

Posted in cycle of sighns with tags , , , on 22 de Abril de 2012 by Humberto

No sábado 19 de Maio poderemos de novo celebrar a bicicleta com hora marcada e todos juntos. Os eventos Lisboa Cycle Chic cumprem o destino de se afirmarem como uma marca também da cultura ciclista urbana alfacinha. Lisboa merece dias assim. As nossas cidades merecem bicicletas. E nós merecemos celebrar uma opção de futuro.

A bicicleta na cidade está aí, por todo o lado a pedalar mais a cada dia, a aparecer mais a cada curva. Apesar das ciclovias vazias e dos autismo dos senhores da burocracia, as ruas são mais felizes de cada vez que um par de rodas as cruzam. De cada vez que uma criança vê, da janela do carro, um adulto numa bicicleta a rua também é mais dela.

Na esplanada solarenga já todos levantámos o olhar para acompanhar a passagem duma bicicleta, abstraído-nos da conversa impressa. Mesmo que as palavras nos falem de bicicletas, o olhar é puxado para quem segue suavemente, a deslizar. A experiência de pedalar é inultrapassável, e o jornalista nunca nos poderá prender o olhar duma bicicleta ali, a ir.

Sempre que leio um texto -e ultimamente tenho lido muitos, sobre a nova bicicleta, vejo um jornalista à conversa na porta duma loja, à conversa num telemóvel, sentado numa mesa com um gravador de permeio. Ali está o jornalista e do outro lado ali está o mundo. Mas tem de ser assim? E se a montanha descesse de bicicleta?

Recentemente a ECF publicou um texto com o sugestivo título “How Do You Get Journalists to Love Cycling?”. Que tal sentarmos os jornalistas em bicicletas e levá-los de passeio? Todos chiques, alegres, receosos, corrompidos? Que tal convidarmos os jornalistas todos desta país (ainda por cima são cada vez menos!) para irem pedalar no sábado 19 de Maio pelas míticas 7 maravilhosas colinas de Lisboa? Que tal levarmos os jornalistas pela mão para uma caçada ao Tritão?

Pois daqui proponho à Federação e ao Miguel, parceiros neste passeio, que tratem de enviar às redacções convites para que os seus enviados participem no 2º (que na verdade é o terceiro mas acho que o Miguel quer esquecer um dos outros e razões até terá) passeio Lisboa Cycle Chic montados em bicicletas. E que se os rapazes não tiveram uma bicicleta lá no jornal, na dispensa da rádio ou no parque dos carros da televisão, a organização terá à disposição dos profissionais da informação muitas para emprestar.

Assim os moços e as moças poderão escrever sobre selins com o rabo calejado por um. Poderão reportar sobre o pedal e sentir a dor no gémeo. Escreverão letras torneadas pelo girar da roda, ao som das campainhas, com o cheiro daquela mistura de adrenalina e suor que nos cobre os corpos quando fazemos algo de que tanto gostamos. Assim de certeza que, quando a bicicleta passar pela esplanada, levantaremos o olhar dum texto com mais paixão.

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